Nuvens baixas refulgem com as luzes da vizinha cidade de Amesbury, e as pedras a prumo ganham uma aura etérea. Encimando a pedra mais alta, outrora parte de um trílito, vê-se uma respiga – metade de uma junta do tipo macho-e-fêmea, copiada das técnicas tradicionais da marcenaria.
Saudações a todos, caros companheiros de estudos históricos.
Este mês a 99a. edição da revista National Geographic - junho 2008 - traz uma grande novidade, que não é interessante apenas para historiadores, arqueólogos, antropólogos e afins, mas para toda a humanidade. Uma série de novas descobertas reescrevem a história de um dos maiores enigmas de todos os tempos: Stonehenge.
A National Geographic, tanto na revista quanto na programação televisida de junho de 2008 trabalham com este tema. Aos estudiosos da pré-história, esta informação é um prato cheio e com sabor requintado. Segue-se, abaixo, alguns parágrafos dos textos que narram esta novidade. Aos interessados, ao fim, o link do site da National Geographic. Bons estudos.
O primeiro relance costuma ser da estrada: desfocado aos olhos de quem passa pela rodovia A-303, Stonehenge aparece como um aglomerado de insignificantes protuberâncias na planície vasta e despida de outros destaques. Mas mesmo nesse vislumbre profano se percebe que a avantajada silhueta é tão pré-histórica que o efeito, por um instante, é o de uma brecha no tempo se abrindo para um mundo ancestral. Mais de perto, em meio à confusão de pedras quebradas e pedras em pé, Stonehenge ainda se afigura menor que sua reputação. Isso a despeito da óbvia façanha representada pela ereção das famosas pedras de arenito chamadas sarsens, a maior delas com 50 toneladas. Único hoje, Stonehenge provavelmente também foi único em sua época, por volta de 4,5 mil anos atrás: um monumento de pedra moldado conforme precedentes de madeira. Seus enormes lintéis ligam-se às colunas por encaixes do tipo macho-e-fêmea inspirados na marcenaria. Isso é um eloqüente indicador de que essa obra híbrida deve ter sido uma novidade radical. As pessoas que construíram Stonehenge descobriram algo até então ignorado, toparam com alguma verdade, transpuseram alguma barreira. Não há dúvida de que tais pedras, colocadas assim de propósito, são ricas em significado. Mas qual é de fato o sentido delas? Apesar das inúmeras teorias surgidas ao longo dos séculos, ninguém sabe. Stonehenge é a mais famosa relíquia da Pré-História na Europa e um dos mais conhecidos, mais contemplados monumentos do mundo, mas não temos nenhuma idéia clara do uso que tinha para as pessoas que o construíram. No passado, arqueólogos tentaram desvendar o enigma arrancando das próprias pedras todos os dados possíveis. Esmiuçaram seus contornos, suas marcas e até suas sombras. Recentemente, porém, a busca tirou os pesquisadores de Stonehenge e os levou, por um lado, às ruínas de uma povoação neolítica próxima e, por outro, a um íngreme cume de montanha no sudoeste de Gales. Nenhuma resposta definitiva emergiu, mas essas duas investigações distintas em andamento trouxeram novas e empolgantes possibilidades. Stonehenge provém de uma rica tradição de
estruturas enigmáticas encontradas em toda a Grã-Bretanha e em partes da Europa continental durante o Neolítico: henges (aterros circulares acompanhados por uma vala interna paralela), montes e bancos de terra, estruturas de madeira circulares, monólitos e anéis e ferraduras de pedra. (A rigor, Stonehenge não é um henge, como indica seu nome, pois as posições do aterro e da vala estão invertidas.) Em diferentes estágios de sua evolução, Stonehenge refletiu muitas dessas tradições. As primeiras pedras a compor a estrutura do monumento foram as azuis. Chegaram de Gales antes de 2500 a.C., flutuando pelo rio, arrastadas e rebocadas por terra. Vieram depois as gigantescas pedras sarsens, completando o monumento, o qual em algum momento foi ligado por uma avenida ao rio Avon. Stonehenge, portanto, é o ponto culminante de uma dinâmica evolução: os aterros pré-rochosos criados na pradaria incorporavam crenças diferentes das representadas pelo monumento de pedra posterior, que estava resolutamente conectado à água.
FONTES:
NatGeo: http://www.natgeo.com.br/br/
Revista National Geographic: http://origin.viajeaqui.abril.com.br/ng/
Revista National Geographic (matéria):
http://origin.viajeaqui.abril.com.br/ng/materias/ng_materia_279699.shtml
Revista National Geographic (fotos):
http://origin.viajeaqui.abril.com.br/ng/materias/ng_slide_280142.shtml
